Como escolher tênis de corrida? 3 fundamentos e 10 dicas para você não errar.

Entre milhares de modelos e marcas, escolher um tênis de corrida passou a ser uma missão quase impossível tanto para o corredor iniciante quanto para o experiente que pretende mudar de calçado.

Para facilitar sua vida, levantamos 3 aspectos fundamentais para você considerar na hora de escolher o seu tênis certo. E, ao final, 10 dicas valiosas para fazer uma boa escolha.

Também temos vídeos sobre este tema, com perguntas e respostas sobre “como escolher tênis de corrida”, na série ANDREI RESPONDE, no nosso canal do Youtube. Basta clicar na janela abaixo e assistir à playlist.

A indústria do tênis de corrida está sempre lançando novas tecnologias, com opções de moldes, solados, espumas, tecidos e vários recursos.

Tênis mais macios, tênis mais estáveis, pronados, supinados, neutros. Mas será que você realmente precisa dominar todos esses assuntos para fazer sua escolha?

Nossa aposta é que não!

Tênis é uma escolha pessoal. O que serve para um atleta nem sempre vai bem para o outro.

O principal ponto a ser considerado na hora de escolher o seu tênis de corrida é a SUA percepção sobre o calçado, se lhe serviu bem, se o peso está legal, se o pé está protegido e confortável.

Anote esse ponto chave:

É importante que você use um tênis que não tire a sua percepção do contato com o chão!

Tenha em mente que, durante a corrida, é importante o seu pé trabalhar para ajudar a realizar um movimento mais eficiente.

Dependendo do tipo de tênis, você simplesmente não percebe o pé e, durante o impacto da corrida, os seus músculos e tendões terão uma ação motora tardia.

É como se fosse uma “anestesia”: o seu pé bate no solo e você não sente o movimento (ou pelo menos não sente como deveria sentir). Só que, se o corpo não sente, ele também não responde da melhor forma mecânica, o que pode acabar em lesão cedo ou tarde.

Se você gasta dinheiro nos modelos mais caros na expectativa de não se lesionar, então se prepare para uma notícia reveladora:

A solução (ou prevenção) para dores ou lesões NÃO está no tênis!

Nenhum modelo, por melhor que seja (e tem muitos tênis excelentes por aí!) não poderá te salvar de uma lesão no futuro.

A única coisa que te ajuda a prevenir (ou até curar) uma lesão é uma combinação de fortalecimento específico com treinamento técnico de corrida. No final deste artigo vamos te dar boas dicas nesse sentido!

Antes, vamos levantar os 3 pontos fundamentais para não errar na hora de escolher o seu tênis de corrida. Atenção especial ao terceiro!

#1 – Tênis macio demais

A princípio, você pode achar que maciez é bom, porque significa conforto.

Até aí tudo bem, mas tem um detalhe: maciez demais significa também instabilidade.

Isso acontece porque o tênis muito macio tira a estabilidade do pé, fazendo com que os músculos estabilizadores do tornozelo trabalhem de forma estressada o tempo inteiro.

É como se você estivesse o tempo todo pisando em uma plataforma instável. Sua musculatura toda trabalha o tempo inteiro para equilibrar o corpo.

Para você entender melhor, vamos a um exemplo do dia-a-dia: a máquina de cartão de crédito. Se a máquina está bem apoiada em uma superfície firme, ela não “dança” na hora que você aplica a força no botão. Porém, se ela está em uma superfície macia, mesmo aplicando a força sobre o botão, todo o corpo da maquininha se movimenta e de forma instável.

Portanto, a dica aqui é escolher um tênis confortável, porém observando se a maciez dele não está excessiva, atuando de forma negativa no seu movimento. É o tipo de coisa que só você e mais ninguém poderá avaliar por você. Depende da sua percepção!

#2 – Tênis duro demais

Você pode ter concluído a leitura do tópico anterior com a ideia de que um tênis duro é melhor para correr… Só que não é bem por aí!

O tênis mais firme também oferece um risco de lesão porque a firmeza do calçado vai atuar justamente de forma contrária ao tênis macio: proporcionando mais estabilidade e permitindo que você perceba melhor o impacto da passada.

Sabe qual é o problema disso? Nenhum, quando se tem um corpo forte e uma técnica de corrida eficiente.

Porém, quando a musculatura não está preparada e a técnica não é a melhor, então o risco de se lesionar é alto. Isso porque você estará forçando estruturas musculares embaixo do pé, como a fáscia plantar, por exemplo, no caso de uma pisada iniciando com calcanhar, à frente do corpo (overstriding). Observe a imagem:

É, inclusive por causa desse tipo de entrada do pé, que é muito comum (e muito ineficiente também) que a indústria insiste em lançar modelos e modelos reforçados nessa área do calcanhar…

Fica aqui uma pergunta para você pensar:

O que compensa mais? Corrigir uma pisada (ou outro aspecto mecânico) do seu corpo ou ficar dependendo de tênis após tênis para o resto da vida?

No Corrida Perfeita defendemos muito a sua independência. Sabemos que uma corrida eficiente é bem menos lesiva e não exige de você nenhum tênis, joelheira ou qualquer tipo de “muleta”, como costumamos definir esses tipos de acessórios.

Ou seja, acreditamos que um corpo devidamente fortalecido para corrida e com uma técnica (forma de correr) menos lesiva é  verdadeira e definitiva solução.

Ao final do texto, você vai descobrir uma maneira simples e rápida de fazer esse tipo de preparação.

#3 – O tal do “drop”

É chamado de “drop” a diferença de altura entre a parte da frente e a parte de trás do tênis de corrida.

O problema do drop mais alto começa na largura do solado. De maneira geral, os tênis que possuem maior drop costumam ser também modelos bastante macios, com sola larga, que retiram quase que totalmente a sua percepção do impacto.

Como dito no início do artigo, é interessante que você perceba o impacto da passada e, assim, treine uma boa resposta neuromotora.

Mas o drop alto não é interessante também por conta de outros fatores, até mais graves que a grossura da sola.

Quanto maior o drop, mais o tendão calcâneo se encurta, jogando a tensão toda sobre o músculo da panturrilha. É a mesma coisa que acontece em um salto alto: o tendão simplesmente não trabalha e a força recai toda sobre a panturrilha.

Só que, para uma corrida eficiente, o tendão precisa trabalhar. De uma maneira geral, o drop do tênis vai dificultar o aproveitamento de cada passada porque muda o ângulo do pé, que não tem apoio para fazer o movimento de impulso no calcanhar.

Sem as “molas de impulso” nos pés, fica bem mais difícil jogar o corpo para a frente, ou seja, mais energia gasta, mais cansaço e menos eficiência mecânica.

Portanto, quanto menor o drop, maior será a possibilidade de aproveitamento total do potencial elástico do seu corpo.

Mas, novamente, é importante ressaltar: assim como na escolha da maciez do tênis, no caso do drop, não adianta escolher um “drop zero” sem investir em fortalecimento e no movimento de corrida em si.

A melhor sugestão é que você diminua aos poucos o drop do seu tênis e vá trabalhando força, técnica e também mobilidade para “despertar” a atuação eficiente do seu tendão. Mais a frente você vai saber como fazer.

…Mas e o tipo de pisada?

Alguns anos atrás, era essencial conhecer o seu tipo de pisada: pronada (para dentro), supinada (para fora) ou neutra (mais reta).

É interessante, sim, você saber o seu tipo de pisada, mas isso para você saber o que fazer em relação ao fortalecimento do seu corpo, a questão da técnica e da postura do seu corpo na corrida, e não necessariamente com relação ao tênis que você vai usar.

Isso porque o suporte reforçado de um lado ou de outro (pronado ou supinado) não faz muita diferença quando você aterrissa com a frente do pé.

Ou seja: tênis pronado ou supinado acaba sendo um tipo de “muleta” desnecessária, sendo que o essencial mesmo é fortalecer a musculatura estabilizadora dos pés, trabalhando os músculos flexores e extensores dos seus dedos. Além de melhorar sua técnica, buscando passar a correr sem apoiar primeiro com o calcanhar.

…Mas, e quem tem sobrepeso?

Um dos principais argumentos da indústria do tênis é o amortecimento maior dos solados mais largos, indicados para quem está acima do peso.

De certa forma, faz sentido, sim, este raciocínio. Isso porque, de fato, quanto maior for o peso do corpo, maior será o impacto sobre os pés, em uma passada mais “funda” e demorada.

Um tênis com maior amortecimento tende a distribuir mais essa força, deformando a sola do tênis, em vez de levar o impacto para os seus músculos.

Mas a lógica do fortalecimento muscular também vale para quem está acima do peso!

Com um corpo forte e uma pisada eficiente, esse impacto não será lesivo, já que o seu pé baterá no chão de forma ágil, não “afundando” e sobrecarregando as articulações.

Em resumo: quem está acima do peso pode até optar por um tênis com maior amortecimento, porém deve igualmente focar no fortalecimento e na técnica, para não se machucar.

Entendeu a relação do tênis com a mecânica de corrida?

Como você já deve ter percebido, a escolha do tênis certo é pessoal e depende muito da sua percepção. Depende, como tudo na corrida, de sua condição atual e de seus objetivos. Sabemos que não é uma escolha tão simples, mas listamos abaixo

10 dicas rápidas para te ajudar na hora de comprar seu tênis de corrida:

DICA #01

Experimente várias marcas, modelos e também tamanhos, porque a numeração varia muito. Considere também o tipo de terreno onde você irá correr, pois um tênis de trilha tem o solado bastante diferente de um tênis de asfalto, por exemplo.

DICA #02

Nem sempre o tênis mais caro é a melhor opção. O preço se torna relativo quando a sua percepção e sua preparação corporal forem o ponto principal.

DICA #03

Cuidado para não comprar tênis grande demais, a ponto do pé ficar solto, e nem pequeno demais, a ponto dos dedos encostarem na frente. É bom deixar uma folga de até 0,5cm, pois os pés incham ao correr.

DICA #04

Atenção às costuras dos tênis, pois elas podem gerar atrito e causar bolhas. Você pode minimizar isso com o uso de boas meias para corrida

DICA #05

Quanto menos peso, mais a corrida flui. Portanto, prefira os tênis mais leves, levando em consideração também a estabilidade que mencionamos no início do artigo (nem macio e nem duro demais).

DICA #06

Tenha mais de um tênis. Você pode eleger um modelo para as provas e outro para os treinos. É importante deixar o seu tênis descansar pelo menos 24 horas após o uso e, assim, recuperar o solado.

DICA #07

Prefira experimentar tênis no final do dia, com os pés mais inchados. Assim não corre o risco de errar a numeração.

DICA #08

Antes de colocar nos pés, teste a flexibilidade do tênis dobrando-o. Assim você terá uma boa ideia do conforto e maciez/rigidez do mesmo.

DICA #09

A durabilidade do tênis vai variar de acordo com o uso e a conservação. Lavar à mão, não deixar de molho, evitar sabão que resseque a entressola, secar na posição normal e à sombra são bons cuidados para conservá-los. Não esteja preso à quilometragem do tênis, mas sim ao aspecto da estrutura, em especial da sola. Existem tênis que duram 300 e outros até 1000 km!

DICA #10

Encontrou o seu “par perfeito”? Compre logo alguns pares e estoque, pois os fabricantes estão sempre redesenhando os modelos e nem sempre a nova edição irá lhe agradar. Pior ainda quando aquele seu tênis querido sai de linha…

DICA #1000

Faça mais por você do que simplesmente comprar um bom tênis: PREPARE o seu corpo para correr bem!

Conforme explicamos em detalhes ao longo deste artigo, a atitude mais importante para quem quer correr com prazer e longe das dores ou lesões é investir em uma técnica de corrida eficiente e, ao mesmo tempo, fortalecer o corpo para correr bem.

Para isso o Programa Online Corrida Perfeita foi criado: uma maneira simples de educar o seu corpo para fazer os movimentos mais eficientes de corrida.

E, além disso, ele possui séries de exercícios funcionais específicos para os corredores ganharem equilíbrio, resistência e força nas partes do corpo mais exigidas na corrida.

Você pode experimentar grátis o programa agora, sabia?

Acesse a versão grátis neste link e já no seu próximo treino aplique as dicas da aula 1 e os educativos da aula 2. Separe um dia para fazer o funcional da aula 3 e repita o ciclo por algumas semanas.

Você vai ver como a sua corrida pode evoluir de forma inteligente e rápida, sem ficar, no futuro, presa a algum modelo de tênis.

Muito provavelmente você vai parar de pensar que o tênis resolve alguma lesão.

Por isso, ao menos por agora, te desafiamos a “esquecer” um pouco a questão do tênis e a concentrar seus esforços na sua técnica e no fortalecimento específico do para a corrida.

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Bora?

Como sempre, vamos juntos, rumo à Corrida Perfeita!

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