Bolhas nos pés na corrida: porque ocorrem e como evitar.

Por que será que os pés dos corredores são tão suscetíveis à formação de bolhas? Qual seria a forma mais eficiente de evitar esse incômodo?

Nesse artigo vamos responder essas e outras perguntas com base na experiência de quem já sofreu bastante com as bolhas nos pés ao correr.  

E o melhor: vamos te dar de presente 7 dicas práticas e infalíveis para evitar esse sofrimento na parte mais exigida do corpo dos corredores.

Algumas vezes as bolhas nos pés aparecem e desaparecem sem nenhum aviso, sem nenhuma dor. Se esse foi o seu caso, considere-se privilegiado!

Isso porque, na maior parte das vezes, as bolhas nos pés doem, inflamam e chegam até a impedir você de concluir a sua corrida.

Nesse artigo você vai encontrar uma abordagem mais completa do assunto. Também temos um vídeo sobre bolhas nos pés. Clique na janela aqui embaixo para assistir:

O que causa a bolha?

De uma maneira geral, a bolha é formada por um aumento de temperatura. Esse calor costuma acontecer através de um atrito excessivo, que pode acontecer entre os pés e meia ou com o tênis, e até mesmo com o chão.

No momento em que ocorre essa fricção (atrito), as camadas da pele se separam. Normalmente as bolhas são formadas entre as duas camadas mais superficiais da pele: a derme e a epiderme.

Ao se descolarem, um líquido começa a escapar dos vasos da derme e assim vai se acumulando no espaço vazio entre as camadas da pele, formando assim a bolha.

Todo esse processo acelera bastante com o calor, a umidade alta e também o atrito, caso você continue correndo.

Pé “cascudo”

Nem sempre o processo de descolamento da derme com a epiderme acabará na formação de uma bolha. Isso porque, na medida em que você vai se exercitando com mais frequência e incluindo treinos descalço, por exemplo, vai fortalecendo não só a musculatura dos pés, mas também “engrossando” a pele.

É assim que surgem as calosidades na pele: aqueles pontos em que a pele endurece e perde a sensibilidade.

Se você tem calos nos pés, portanto, a chance de ter bolhas nos pés na corrida é bem menor, já que o calo e, geral sinaliza que o pé está mais forte. É o famoso pé de atleta, que aguenta bem o esforço, o peso do corpo, as altas temperaturas e o atrito em geral.

Bolha nos pés durante o IRONMAN: minha experiência

Ninguém está imune às bolhas nos pés. Basta um pequeno descuido e elas aparecem!

Todo atleta de endurance sabe que provas longas exigem pés secos! Isso justamente para evitar a formação de bolhas.

Esse foi o meu descuido no mundial de IRONMAN em Cozumel,que participei no final de 2018.

Uma prova duríssima de triathlo em um local extremamente úmido e quente, próximo à linha do Equador.

A prova já começou no mar e a saída do corpo molhado para a bike trouxe uma inevitável umidade aos pés dentro das sapatilhas, pois o clima úmido não permite a evaporação rápida da água.

Foram cinco horas pedalando no calor e, para manter a temperatura do corpo estável, tive a necessidade de hidratar e jogar bastante água no corpo, aumentando a umidade nos pés.

Essa condição úmida se agravou bastante na parte da corrida, com o calor do asfalto e o solado baixo do tênis, que aumentou o suor nos pés. Isso sem falar na constante necessidade de jogar água no corpo para manter um equilíbrio homeostático.

A essa altura, a bolha já estava formada e doendo bastante.

Foi então que, no quilômetro 33, a bolha estourou próximo aos dedos, em uma parte mais sensível dos pés.

A bolha estourar foi um alívio, mas, ainda assim, a dor persistiu até o final da prova (na verdade, até a semana seguinte, quando corri os 21k de Noronha).

Em resumo: nem um pé forte e calejado pôde evitar a formação de uma bolha em condições úmidas e quentes. Porém, um pé pouco menos “cascudo” certamente sofreria mais com essa bolha, podendo até sair da competição.

Para isso não acontecer com você, separei 7 dicas importantes:

#1 Tênis novo no dia da prova? Não!

Por melhor que seja o tênis e por mais que você até já esteja adaptado à marca e o modelo, entenda que aquele par de tênis é único e precisa se adaptar ao seu pé.

Portanto, use o seu tênis novo no dia-a-dia e nos treinos leves antes de colocá-lo nas provas de corrida, ou até mesmo nos treinos mais difíceis como os tiros e longões. Assim a possibilidade de gerar atrito (e bolhas nos pés) é bem menor.

#2 Tamanho certo do tênis

Seu tênis não pode ficar nem apertado demais e nem largo demais. Se ficar apertado, todo o pé entra em atrito com a frente do tênis.

Se estiver largo, o pé pode escorregar e, além de causar atrito e gerar bolhas no calcanhar, pode também causar tombos e torções.

Dessa forma, o tênis deve ter uma folga de no máximo 0,5cm para comportar o seu pé inchado ao correr.

(Importante: não amarre o cadarço apertado demais, pois isso também gera atrito.)

#3 Invista em boas meias

Esqueça as meias apenas de algodão, pois elas acumulam o suor e a umidade. Opte por materiais sintéticos como a poliamida, que deixam a umidade evaporar com maior facilidade. Nesse sentido, é interessante escolher também meias mais finas, de preferência com poucas costuras. Existem meias próprias para a corrida nas lojas. Procure por elas.

#4 Atenção para não molhar os pés

Quando for se  hidratar e quiser jogar água no corpo, procure fazer isso aos poucos, de forma que não molhe os pés.

Uma boa dica nesse sentido é jogar a água em pequenas quantidades mais na cabeça e nas costas do que na parte da frente do corpo. E, claro, evite pisar em poças d’água e encharcar os pés.

#5 Use a boa e velha vaselina

Boa, barata e fácil de achar, a vaselina é uma ajuda e tanto para os corredores, na prevenção de assaduras e nos atritos com tênis, roupas etc.

Se o seu tênis possui algum tipo de costura, palmilha ou acabamento que seja perceptível ao correr, espalhe uma boa quantidade e vaselina nessas áreas de contato do próprio calçado.

Procure não exagerar na quantidade, para a vaselina não escorrer para outras áreas e deixar o seu pé instável, escorregando dentro do tênis.

#6 Pé cascudo ajuda muito

Procure fortalecer bastante os seus pés andando e correndo descalço, principalmente nas semanas anteriores às suas provas.

Você também pode executar descalço o treino de fortalecimento funcional e os educativos de corrida do método Corrida Perfeita. Clique aqui para experimentar GRÁTIS o nosso programa!

Importante: não remova totalmente os seus calos, pois eles são a proteção natural dos seus pés. O ideal é lixar e hidratar bem, porém mantendo a pele bem firme e resistente, sem fissuras.

#7 Observe a sua mecânica de corrida

Treinos em subidas, descidas e terrenos diferentes exigem mecânicas diferentes e o seu corpo precisa estar adaptado e devidamente fortalecido para executar esse tipo de movimento.

Cuidado por exemplo para não “travar” os dedos dos pés ao correr. Flexioná-los para baixo ou estendê-los para cima pode gerar um grande atrito, com a formação de bolhas, perda de unhas etc.

Mas isso não é a pior parte: esse movimento dos dedos dos pés pode alterar a sua mecânica de corrida e causar diversas lesões nas suas articulações.

Assim como na dica #6, a solução então é investir em uma técnica de corrida eficiente, acompanhada por um fortalecimento adequado.

Foi o que o nosso aluno Ed fez e se livrou do problema nos pés (veja no vídeo abaixo):

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Experimente e tire suas próprias conclusões.

Não adianta você se livrar as bolhas nos pés e sair correndo de qualquer jeito, sem se preocupar com a sua técnica. Incômodos bem maiores poderão vir. Para isso não acontecer, conte com a nossa ajuda!

E vamo que vamo… rumo à Corrida Perfeita!

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