Brasília Triathlon Endurance 2019: como foi a minha experiência

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Brasília Triathlon Endurance 2019: como foi a minha experiência

Cada experiência no triathlo é única. Nesse evento, foram 1,9km de natação, 90km de bike e mais 21km de corrida em uma prova memorável e que, mais que um troféu, valeu uma experiência de vida. Neste relato te conto a história em detalhes…

Pré-prova enrolado

Surpreendentemente eu tenho o poder de me enrolar em minhas próprias pernas e chegar sempre no estouro da largada. Acordei às 4:20 para tomar meu café e chá. Colocar alguma coisa na barriga (e também esvaziar a barriga! rs).

Já estava tudo pronto e organizado desde o dia anterior. Era só pegar as coisas e ir. E foi! Mas não sei como, já sai com 20’ de atraso de casa… Área de transição fechava as 6:00 e as 5:40 eu ainda estava estacionando o carro.

Acelera!!

Pega cestinho, esvazia bolsa, deixa bolsa, coloca a roupa de borracha, conversa (apressadamente) com alguns atletas que me acompanham nas redes e quando vejo já é 6:15, hora da largada!

Graças a uma névoa densa que estava sobre o lago atrasou um pouco a largada e deu tempo de fazer umas flexões e cair na água.

Nem um pouco aquecido, mas pronto para o início.

Largada forte

Largamos e de cara já coloco um ritmo relativamente forte para chegar à primeira boia para depois colocar a “velocidade de cruzeiro”. Ao fazer a curva não dava para enxergar a outra boia. Era muita neblina…

Sinto o braço pesando e o desconforto comendo solto antes dos 500m. Lascou! Percepção de esforço zero e eu penso: Bora nadar no desconforto sem morrer porque ainda tem bike e corrida.

Completada a parte 1 da missão.

Saio da água levemente tonto, mas de boa. Não parei para ver meu tempo na água para não ficar p*. Deixa fluir… Hoje é treino! Vamos treinar o “flow” da prova.

Pedal a 80 por hora

Alguns atletas que saíram junto comigo abriram certa vantagem no pedal.

O bacana dessa prova é que, logo no início do pedal já havia uma “parede” para subir. Então é hora de recuperar a FC e exigir das pernas. “Vamo com calma” porque essa subida era encarada quatro vezes durante a prova.

…E tudo que sobe desce!

Hora mais divertida: 80km/h descendo no clipe e me achando o próprio foguete.

Fui encontrando meu ritmo na prova. Fazendo a força que eu tinha e calculando com a que eu podia.

Fui aos poucos encontrando amigos na prova, amigos de prova como o Sebastião Monteiro (@sebastiaomonteiro), que tem a mesma idade que eu. Muito bom! Encontrar amigos distrai a mente do fazer força. 

Curtir os gritos da galera enquanto passo a mais de 50km/h também é sensacional! São esses pequenos pontos de energia extra que vão fazendo a prova fluir e ser divertida.

Eu me encontro na competição. É meu mundo! Eu viajo. Certamente essa é a minha medicação para levar a vida…

Depois de um pedal bacana, sem dar câimbra nas pernas, eu sinto que os treinos têm valido a pena!

Transição para a corrida

Cheguei na transição inteiro e doido pra correr!

Eu sabia que os caras a minha frente dificilmente me dariam a oportunidade de tirar 5’ deles na corrida. Então a preocupação mesmo era quem estava por perto… Principalmente o Sebastião que corre muito!

Acabei me enrolando um pouco na transição para colocar a bike no suporte (um “bem amado” havia colocado sua roupa de borracha bem onde minha roda encaixava). Na primeira tentativa a bike ficou, mas logo em seguida caiu e tive que ajustá-la. Nisso, quem estava comigo na transição ia “abrindo chão”…

Bora!!!

A corrida é meu lar e eu estou na minha casa.

Saí para correr quase como se fosse uma prova de sprint e depois fui encaixando meu ritmo pela percepção de esforço.

Eram três voltas de 7k e pouco. Na primeira volta fiz umas contas de cabeça com os atletas mais à frente e vi que não ia dar para buscar. (Só se eles quebrassem.) Então mantive meu ritmo.

Meu pé mais uma vez começou a incomodar. Fritando na lateral. Não via ninguém por perto à frente e nem atrás. Naturalmente reduzi o ritmo, tentando controlar e achar uma solução para o meu pé. No início da última volta achei que minha posição estava consolidada. Nas minhas contas estava em 4.

Porém… ah, porém!!

Vejo uma pessoa na torcida dar um grito de incentivo a alguém logo atrás de mim, da Assessoria André Vilarinho. Quando olho para trás: é o Sebastião!

Esse cabra não larga o osso! rs

Pé doendo, mas “vamo nessa”! Aperto o passo para tentar dificultar a vida dele. (Já fazendo conta na minha cabeça que ficar em quinto não seria ruim: subiria no pódio geral pela primeira vez!)

Mas ele vai ter que fazer por merecer tirar 30 segundos em 5km: teria que correr abaixo de 3’45”/km.

Fui acelerando e acelerando. Os últimos 2km eram praticamente de descida. Quando cheguei nesse ponto, olhei pra trás e não vi ninguém. Ótimo! Missão cumprida!

Fui seguindo rumo ao pórtico só pensando em terminar a corrida com pace médio abaixo de 4’10”/km.

Sprint final

Olha que bacana: nos últimos 100m encontro um atleta que não tinha visto hora nenhuma na prova… Para mim ele estava na prova curta que acontecia simultaneamente. Ele deu uma olhadinha para trás e apertou o passo. Fera!!!

Então vamos nos divertir no Sprint!

Cheguei ao lado dele e provoquei: “Borá!!! Vamo junto!! Até o final! Vamo!!!” Começamos a sprintar… fera demais.

A perna estava respondendo. Deu para colocar velocidade. Ele não aguentou e largou o osso.

Ao chegar na linha descobri que ele era o quarto colocado da prova longa.

Se não fosse pelo Sebastião eu nunca teria alcançado o Gustavo… Foi bacana! Adoro competir.

No final, todos nós nos abraçamos!

Encerrei o Brasília Triathlon Endurance em 4º Lugar Geral e com os tempos parciais:

Natação: 30:06
Bike: 2:32:13
Corrida: 1:30:42

Mais uma prova memorável, rumo à corrida perfeita!

Um grande abraço e bons treinos.